XI Panorama Internacional Coisa de Cinema – Sexta-Feira (30/10/2015) –

Curtas-Metragem

Etílico

Um curta bacaninha. Realmente, não há muito o que dizer sobre ele, principalmente devido a sua curtíssima duração. O que fica mais é a aparente falta de sentido nos acontecimentos e a estranha simbologia sexual, que sou-me engraçada por tratar-se de uma animação que tem como público alvo crianças. Um saca-rolhas, advindo de uma nave espacial, abre um vinho em movimentos repetidos que se assemelham a uma penetração. No final o saca rolhas entra em êxtase e derrama uma parte do conteúdo da garrafa, como um coito. Definitivamente algo não usual, no sentido da representação, para uma animação.

Direção: José Araripe Jr. e Iberto Rodrigues
Duração:
3 min.
Ano:
2014

País: Brasil

Biston Betularia

O título parece fazer referência a uma espécie de traça que se torna ativa durante a noite, e passa o dia inteiro se camuflando; se escondendo, como o protagonista que sai à noite e só é visto por nós (espectadores) nessa faixa de tempo. Isto parece uma relação obvia, mas há outra que talvez seja melhor; a seleção natural evidenciada pela traça que escureceu para se adaptar as arvores menos claras, é semelhante a transformação do homem, que se adaptou para as suas necessidades sociais. Ele sabe da sua condição; não é rico, é negro e imigrante. Isso causa preconceitos diversos nas pessoas ao seu redor. O filme pareceu-me um pouco sobre essa capacidade de adaptar-se em outro país, de um jeito difuso, visto que não começa acompanhando esta pessoa, mas ainda assim sobre este viés.

Direção: Ive Machado
Duração: 
13 min.
Ano: 
2015

País: Portugal

Agora Livre (Libre Maintenant)

Retratos aqui são de uma naturalidade belíssima. Todos os fotografados parecem confortáveis pelo menos no momento em que seus corpos são capturados pela máquina. Cobertos apenas por uma máscara que revela a sua natureza pública, nos descrevem, eles, que na vida em família ou entre amigos se portam de outra maneira da que realmente são; Uma gestão esquizofrênica da vida, como diz um dos fotografados em um momento. Estranho, triste e bela a maneira com que seus corpos nus se abrem pelo filme parado e em movimento, mostrando-se através desses instrumentos para fotógrafo e espectador.

Direção: Pierre Liebaert
Duração:
11 min.
Ano:
2014

País: Bélgica

Longas Metragem

O Gigantesco Imã

Uma história interessante, uma paisagem interessante e, acima de tudo, um personagem interessante. Acompanhamos um senhor que se denomina cientista e mora num sertão de Pernambuco, suas invenções consistem de bugigangas diversas; rádios, controles remotos, etc… tudo muito rústico e diferente. Seu processo de criação e sua fascinação sobre suas tecnologias o fazem parecer com uma criança, descobrindo o mundo.

É divertido acompanhar alguém assim, ainda mais quando este senhor é extremamente carismático e sabe contar uma história muito bem. Os contos e circunstâncias ao redor dos inventos são intrigantes e o jeito artesanal que são produzidos estes aparatos é de simplicidade única. Além de uma qualidade, também um defeito, visto que o senhor não pensa em design ou em quem usará o produto e isso revela um grande porém da sua forma de conhecimento. Tudo o que sabe é baseado no sensorial, tudo aquilo que tocou, viu e, em menor escala, leu; ele não se preocupa se aquilo que produz é viável ou como passar as descobertas adquiridas.

Numa cena, o inventor tenta fazer um carro funcionar retirando várias partes fundamentais e trocando o motor tradicional por um de cana, e, surpreendentemente o carro anda. Ai reside a grande questão, como esse carro seria viável? Como passar este conhecimento adquirido? São todas questões que não são pensadas pelo inventor, e o filme coloca isso como uma via alternativa de conhecimento, como se isto fosse ideal. É belíssima, a maneira como o conhecimento foi adquirido, nas condições em que foi adquirido, mas esse saber fica apenas com uma pessoa e constrói, no máximo, um Passa-Tempo para os outros da cidade.

Direção: Tiago Scorza e Petrônio

Duração: 72 min.

Ano: 2015

País: Brasil

Aqui em Lisboa

A junção de quatro curtas para formar um longa nunca foi tão estranha. Todos os curtas têm, pelo menos, alguma ligação com Portugal, nem que seja mínima. Os dois primeiros exploram, visivelmente, paisagens e pessoas portuguesas com muito mais ênfase e são mais focados em uma abordagem pessoal, ao redor dos moradores do país e como eles se relacionam com o ambiente. O terceiro e quarto necessitam de explicação individual, visto que destoam do resto.

O primeiro tem um método bastante claro e direto. Acompanhar uma mulher espanhola na meia idade que faz viagem pelo país. Os seus olhos são os nossos, de forma que, como ela, sentimo-nos estrangeiros explorando aquela terra. A culinária, as paisagens e as pessoas são as partes mais atrativas daquilo e, embora rapidamente o filme divague pela relação pessoal dessa mulher, esse aspecto ainda é atraente.

O segundo curta pende mais para o lado da abordagem pessoal do que a relação com o ambiente, e parece querer centrar-se em alguns personagens, explorando um pouco do seu cotidiano de forma aparentemente aleatória. Essas pessoas não tem nenhuma relação umas com as outras, visto que são de lugares e contextos diferentes e a única coisa que parece liga-los é uma banda de Jazz Free Style (quando todos os músicos improvisam), em que eles acabam se juntando no mesmo espaço. Pode-se enxergar, obviamente, como uma metáfora sobre a correria da cidade, mas não deixa de faltar alguma relação mais forte entre as pessoas ou discurso fílmico.

Neste ponto da projeção eu estava frio, mas com certa expectativa de que o próximo filme seria algo parecido com os dois primeiros. Abordagens nos personagens ou na cidade, talvez um pouco mais diferente no tom dos personagens ou estilo, mas ainda sim parecido com os anteriores. Eis que surge um letreiro exageradamente grande, todo de prata, com uma música de metal pesado atrás. Tentando alcançar um tom paródico de alguns programas sensacionalistas norte-americanos. A comédia escrachada, exagerada, escatológica e absurdista, típica de alguns filmes de comédia da américa do norte, está em 99% do filme, e a minha risada veio mais pela estranheza daquela situação e não pela situação em si (“será que eu estou no filme certo?” “Erraram a na ordem dos filmes?” Era o que passava na minha cabeça).

Sobre o quarto e último curta não há muito o que dizer. É apenas uma espécie de pastiche de um trecho de Idade da Terra, de Glauber. Filmado com câmera na mão e quebrando a quarta parede a todo momento, a peça irritante contém gente fantasiada de sereia ou animais diversos, dançando ou interagindo de forma aparentemente aleatória. A descrição e análise dos filmes é longa e passa o limite de três parágrafos, que impus a mim mesmo, justamente para dar base a uma impressão que tive. Os curtas não constituem discurso ou algum sentido conjunto entre eles.

Direção: Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes e Marie Losier

Duração: 90 min.

Ano: 2015

País: Portugal

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